A NBR 5629:2018 estabelece os critérios para projeto e execução de ancoragens em solo e rocha. Em Ananindeua, cidade com solos predominantemente argilosos e nível freático raso (entre 2 e 4 metros de profundidade), a aplicação dessa norma é essencial para garantir a segurança de estruturas ancoradas. O solo laterítico típico da região exige cuidados especiais na determinação da resistência ao cisalhamento e na avaliação da interação solo-tirante. Por isso, antes de definir o tipo de ancoragem — ativa ou passiva — é comum realizar um estudo de mecânica dos solos para caracterizar as camadas e verificar a estabilidade de taludes em cortes próximos a edificações.
Em Ananindeua, o nível freático raso e os solos lateríticos exigem ancoragens com proteção anticorrosiva dupla e ensaios de arrancamento obrigatórios.
Procedimento e escopo
Um erro recorrente em Ananindeua é dimensionar ancoragens sem considerar o rebaixamento do lençol freático durante as chuvas intensas de janeiro a maio. A subpressão reduz o atrito lateral dos tirantes e pode comprometer a carga de trabalho. Para evitar isso, o projeto deve prever ensaios de arrancamento em campo, com instrumentação por célula de carga. As ancoragens ativas são protendidas e indicadas quando há necessidade de mobilizar resistência imediata; as passivas trabalham com deslocamentos maiores e são mais usadas em contenções definitivas. O dimensionamento inclui:
Cálculo do comprimento de ancoragem (bucha) em solo ou rocha
Verificação da flambagem do tirante em solos moles
Proteção contra corrosão (dupla ou simples) conforme agressividade do ambiente
Imagem técnica de referência — Ananindeua
Particularidades da região
Os solos de Ananindeua pertencem à Formação Barreiras, com argilas siltosas de média a alta plasticidade intercaladas por areias finas. O nível freático oscila entre 2 m e 4 m, e nas áreas próximas ao Icuí-Guamá pode chegar a 1 m. Essa condição eleva o risco de corrosão eletroquímica das armaduras. Em ancoragens passivas mal projetadas, a perda de protensão ao longo do tempo pode chegar a 15% nos primeiros 5 anos, reduzindo a segurança da contenção.
Dimensionamento de tirantes protendidos com carga de trabalho entre 300 kN e 600 kN, incluindo ensaios de arrancamento e instrumentação com célula de carga para monitoramento da força ao longo do tempo.
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Projeto de ancoragens passivas
Ancoragens não protendidas para contenções definitivas em taludes e muros de arrimo, com verificação de deslocamentos admissíveis e proteção contra corrosão em solo agressivo.
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Ensaios de arrancamento e validação
Execução de ensaios de carga progressiva (conforme NBR 5629) para validar a capacidade de carga dos tirantes em campo, realizados em até 5% das ancoragens da obra.
Normas técnicas vigentes
NBR 5629:2018 – Ancoragens injetadas no solo, NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de concreto, NBR 6122:2019 – Projeto e execução de fundações, EN 1537:2013 – Execution of special geotechnical works (ground anchors)
Dúvidas habituais
Qual a diferença entre ancoragem ativa e passiva em projetos geotécnicos?
A ancoragem ativa é protendida, ou seja, aplica-se uma força de tração prévia no tirante após a cura do graute, mobilizando resistência imediata do solo. A ancoragem passiva não recebe protensão inicial; ela só entra em carga quando a estrutura se desloca, sendo mais indicada para contenções definitivas com deslocamentos controlados.
Quanto custa um projeto de ancoragens em Ananindeua?
O custo referencial para projeto de ancoragens ativas ou passivas em Ananindeua fica entre R$ 2.760 e R$ 10.400, dependendo do número de tirantes, da complexidade geotécnica e da necessidade de ensaios de arrancamento em campo. O valor pode variar conforme o volume e os ensaios complementares exigidos.
O solo de Ananindeua exige cuidados especiais para ancoragens?
Sim. O solo laterítico da Formação Barreiras, com argilas de alta plasticidade e nível freático raso, exige proteção anticorrosiva dupla (bainha corrugada + graute) e ensaios de arrancamento para confirmar a resistência ao cisalhamento. A subpressão provocada pelas chuvas intensas também deve ser considerada no dimensionamento.
Qual a norma técnica para projeto de ancoragens no Brasil?
A norma principal é a NBR 5629:2018, que estabelece os critérios para projeto, execução e ensaio de ancoragens injetadas no solo. Também se aplicam a NBR 6118:2014 (concreto) e a NBR 6122:2019 (fundações). Para obras com influência de corrosão, recomenda-se seguir a EN 1537:2013 como referência adicional.